Feminismo Negro - Blog da Marcy





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Feminismo Negro

05/08/2018



Definição de Feminismo

Feminismo segundo o Dicionário Aurélio: ‘Movimento favorável à equiparação dos direitos civis e políticos da mulher aos do homem.’

Antes de falar sobre o Feminismo Negro é necessário entender como surgiu o Movimento Feminista

Como Surgiu o Feminismo
Nos séculos 15 e 18 já aparecem de temas que denunciavam a condição opressora vivida pelas mulheres, fatores estes como o dominação e superioridade pelos homens imposta.
Estes escritos embora abordando a questão de gênero muitos visem que ainda não havia um conceito Feminista. Enquanto que Estudiosos afirmam que isso fazia parte do contexto social e político da Revolução Francesa (1789)

Feminismo Emancipacionista

No século 19 surgiu o Feminismo Emancipacionista, este era um novo conceito na liberal sociedade européia.

Neste período o movimento feminista com o núcleo irradiador na Inglaterra a luta era por igualdade jurídica, como direito de instrução (estudar), de trabalhar, exercer uma profissão e o direito de voto.

 

O Feminismo emancipacionista era divergente as leis em vigor na época, que juridicamente formalizavam as diferenças entre os sexos femininos e masculinos.

No final do século XlV e inicio do século XX vários intelectuais e pensadores europeus formulavam teses consistentes a respeito do feminismo.

 

Intelectuais de esquerdas na Itália também debatiam o assunto além da produção de inúmeras obras e livros e obras sobre o tema.

 

Feminismo contemporâneo

O movimento Feminista Contemporâneo surgiu na década de 1960 nos Estados Unidos e expandiu em diversos países industrializados.

 

No Brasil o movimento feminista começou a ganhar destaque no século XX entre as décadas de 1930 e 1940. Nesse período em nosso país a estrutura social e familiar era um regime patriarcal, construída sobre a figura do homem.

 

Para inserir a mulher brasileira na sociedade o feminismo veio pra dar voz ás suas necessidades. Sendo um grande marco a conquista do direito ao voto nas eleições de, em 1934 no governo Getúlio Vargas.

 

 

Como Surgiu o Feminismo Negro

Para dar início a este tema trarei o texto da ex escravizada Sojourner Truth, que foi oradora na convenção Convenção dos Direitos das Mulheres em Ohio, no ano de 1851.  

“Aquele homem ali diz que é preciso ajudar as mulheres a subir numa carruagem, é preciso carregar elas quando atravessam um lamaçal e elas devem ocupar sempre os melhores lugares. Nunca ninguém me ajuda a subir numa carruagem, a passar por cima da lama ou me cede o melhor lugar! E não sou uma mulher? Olhem para mim! Olhem para meu braço! Eu capinei, eu plantei, juntei palha nos celeiros e homem nenhum conseguiu me superar! E não sou uma mulher? Eu consegui trabalhar e comer tanto quanto um homem – quando tinha o que comer – e também agüentei as chicotadas! E não sou uma mulher? Pari cinco filhos e a maioria deles foi vendida como escravos. Quando manifestei minha dor de mãe, ninguém, a não ser Jesus, me ouviu! E não sou uma mulher?”

O feminismo negro ganhou força a partir da segunda onda do feminismo isso ocorreu entre os não de 1960 e 1980. Em 1973 foi fundado a ‘’National Black Feminis’’ nos Estados Unidos e nessa época mulheres feministas negras passaram a escrever sobre o tema, surgindo então uma literatura Feminista Negra.
O gênero une mulheres brancas e negras, porém há peculiaridades entra as mesmas. Enquanto mulheres brancas lutavam pelo direito ao trabalho, do voto a lutas das negras era para serem consideradas como seres humanos.
Em 1985, ocorreu o III Encontro Feminista Latino-americano na cidade de Bertioga, foi a partir daí que o feminismo negro começou a ganhar forças. A partir de então surgem os primeiros Coletivos de Mulheres Negras, realizando a discussão em alguns Encontros Estaduais e Nacionais.

 Compreendendo o Feminismo Negro

Quando se iniciou a onda do Feminismo certamente as mulheres negras também estavam lá, como mencionado anteriormente a questão de gênero une mulheres brancas e negras, porém a mulher negra vivencia situações em seu dia a dia que a mulher branca não protagoniza.

O sistema não enxerga beleza, feminilidade e sensibilidade na mulher negra,  tanto que o padrão de beleza é sempre de mulher branca. A mulher negra sofre racismo por ser mulher e por ser negra.

Quando se diz “Fragilidade Feminina’’ fala-se especificamente de um tipo de mulher, a mulher negra nunca foi considerada frágil, ela sempre trabalhou desde a escravidão. E muitas vezes para o bem estar da mulher branca, cuidando dos serviços domésticos, sendo ama de leite de seus filhos. Quando alforriada virava quituteira para cuidar da família e libertar seus homens ainda escravos.

Atualmente na maioria das vezes a mulher negra está em trabalhos informais, trabalhando na rua sob o sol para tratar da sua família.

A mulher negra não está protagonizando filmes, séries e novelas, não está mídia, nem nos comerciais, pois alegam que preto não vende. Apesar de as mulheres negras serem maioria na sociedade não tem os mesmo espaços.

Coisas que fazem as mulheres brancas se sentirem inferior em relação ao homem não são as mesmas que acontecem para mulher negra. 
Se a mulher branca tem salário inferior ao homem branco a mulher negra ganha salário menor que a mulher branca

Esteriotipização da mulher negra

1 - Hipersexualização do corpo da mulher Negra

Desde muito tempo a mulher negra é tida como a mulher quente, que gosta de sexo, que é boa de cama. Sendo assim o corpo da mulher negra hipersexualizado e considerado exótico.

Quem não conhece a expressão da ‘’cor do pecado’’? Isso traz o ar de algo exótico, diferente, gostoso, pecaminoso, impensável, e quase proibido. Logo remete o pensamento que não serve para casar. Esta é uma forma que permite o patriarcado impor o racismo às mulheres negras até os dias de hoje e o pior ser visto como algo socialmente aceitável

Toda essa hipersexualização leva muitas mulheres negras de diferentes classes sociais  ao celibato, resumindo ao termo atualmente conhecido como a ‘’Solidão da Mulher Negra’’.

2- Ridicularização do corpo da mulher negra

É comum nos dias de hoje fala-se muito em bullyng, porém a humilhação direcionada aos traços africanos vem atravessando séculos, a sul-africana Saartjie Baartman (1789- 1815) foi uma das principais vitimas históricas. “Apelidada de ‘‘Vênus Hotentote era exibida como atração devido as suas medidas avantajadas

É comum ver no carnaval pessoas a seguinte fantasia; perucas Black, corpo pintado de preto e batom vermelhíssimo isso para retratar a mulher negra. Quem também nunca viu este mesmo tipo de coisas em programas de humor. Isso não deixa de ser uma forma de subjugar a imagem da mulher negra.

Todas as coisas situações referenciadas acima estão presentes na vida da mulher negra, situações essas que são enfrentadas todos os dias a fim de desconstruir estereótipos e para afirmar sua identidade.

Essas situações a mulher branca não tem que se preocupar, é um privilégio que ela possui na hora de lutar por suas causas.

Conclusão

Embora muitas mulheres negras conheçam o feminismo através do feminismo branco elas aderem ao feminismo negro  pois muitas vezes o feminismo atual é insensível as suas particularidades e não sentirem representadas nele.
A mulher branca lutou pelo direito de trabalhar, mulher negra trabalha a desde a escravidão.

‘’Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, as negras duelam pra vencer o machismo, o preconceito, o racismo’’

                                                                                                   Yzalú


4 comentários:

  1. Com certeza um tema pertinente que deve sempre ser abordado e acima de tudo merece toda nossa atenção enquanto pessoas, independente do sexo, da etnia. Obrigada por compartilhar1 <3
    www.bembela.com

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  2. Ótimo texto e de grande significado!

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